O freelancer que aceita mais trabalho do que pode entregar queima o filme de toda a classe
 Publicado: 16/01/2017 Atualizado: 24/01/2017

O freelancer que aceita mais trabalho do que pode entregar queima o filme de toda a classe

É importante conhecer bem a sua capacidade de produção e falar "não" se for preciso. Não há nada de errado nisso.
  Por Henrique Pochmann
É melhor negar trabalho do que estar sempre apagando incêndios, não é?

– E como tem ido o negócio do fulano?

– Tá fazendo sucesso, atendendo vários clientes!

Se você é do mundo dos business, certamente já presenciou esse tipo de diálogo. É comum a gente definir o sucesso de um negócio pela quantidade de clientes que ele atende. E quando se trata de um freelancer, a métrica é a mesma?

Pergunto isso porque vejo por aí muito profissional independente se perdendo na poeira. Na ânsia de fazer grana, aceita vários projetos juntos e depois não consegue entregar. Além de queimar o filme do seu próprio negócio, acaba contribuindo pro estereótipo de que o freelancer é uma mão de obra de risco, não confiável, que pode desaparecer a qualquer momento sem entregar o projeto.

Atender a vários clientes ao mesmo tempo não é tarefa pra qualquer um. Do lado do profissional independente, muitas vezes falta organização, falta transparência no trato com o cliente e falta também conhecer a sua própria capacidade de produção. Assim ele calcula mal o prazo, calcula mal o preço e erra o pulo bonito. Lá se vão noites de sono perdidas pra entregar todos os projetos. Se… entregar.

Não sei bem como te dizer isso mas, lá vai: você não é o super homem ou a mulher maravilha!

Amigo freelancer, não adianta bancar o super-homem/super-mulher. Por mais que você acredite ter vários superpoderes, a sua capacidade de produção é finita. Ou como diz um amigo meu:

“O forno tem um limite”.

É preciso aceitar isso, pelo bem da sua saúde física/mental e pela longevidade do seu negócio.

Quando você se propõe a trabalhar para diversos projetos ao mesmo tempo, não pode focar só no dinheiro que vai entrar. É preciso avaliar o tempo que você terá que dedicar pra cada um desses projetos. E não dá pra considerar apenas o tempo de produção em si. Tem que considerar as horas dedicadas a responder e-mails, as horas dedicadas ao planejamento, as horas dedicadas ao deslocamento para reuniões, as horas dedicadas ao atendimento e por aí vai… é preciso contabilizar tudo que exige a sua atenção.

Vejo muito profissional se vendendo barato e deixando de considerar tudo isso. Toma prejuízo e se acha bem-sucedido. Atender vários clientes não é comprovante de ter sucesso. Isso só indica que você tem bastante trabalho. E que ainda vai ter que correr muito pra manter tudo nos eixos.

Sucesso como freelancer é conseguir ser remunerado adequadamente e ter um horário saudável de trabalho. Pra atingir esse objetivo, é preciso sim trabalhar bastante, mas além disso, é preciso lutar por melhores preços e inclusive negar alguns trabalhos.

Negar um serviço não faz de você uma pessoa que não gosta de trabalhar. Se esse for o seu problema: desencana! Dizer “não” é importante pra você poder dar mais atenção aos clientes e projetos que precisam (e merecem) mais atenção. Quando você aprende a negar alguns clientes e trabalhos, você sobe de nível na escala freelancer.

Quando você aprende a dizer “não” pra trabalhos fora do seu perfil, você passa a abrir espaço na pauta para trabalhos realmente relevantes que possam vir a surgir. Sem falar que em alguns casos você vai ter que negar trabalhos que gostaria de fazer, pela simples razão de não haver mais espaço na pauta.

Entre os freelancers, há um medo generalizado de ficar sem trabalho e de não conseguir pagar as contas no fim do mês. Ta aí o motivo de muito profissional pegar mais trabalho do que consegue entregar. E o pior é que alguns clientes já se deram conta disso e justamente optam por freelancers pois os enxergam como mão de obra barata e desesperada.

Cabe ao freelancer se posicionar e negar condições abusivas. E ainda deve ficar de olhos bem abertos. Trabalhar pra quem só quer pagar pouco não é um bom negócio. Pode virar um círculo vicioso e sem final feliz pros dois lados. O freelancer vai ter de correr atrás de mais clientes pra complementar a renda. O cliente não vai receber a atenção que merece e ainda vai receber um projeto feito sem dedicação e de qualidade questionável. Assim a relação com o cliente se encerra de forma frustrada e prematura por falta de uma negociação saudável no início.

Ih… lá se vai outro cliente.

Outro dia um cliente novo me solicitou um orçamento. Passei o valor. Ele achou caro e me propôs pagar 10% a menos e ainda acrescentou três vezes mais trabalho na proposta. Assim mesmo, na cara dura! Achei um absurdo e educadamente pulei fora da negociação. Não é o tipo de cliente pra quem eu pretendo trabalhar. Pra minha surpresa, ele acabou voltando atrás e aceitou o meu primeiro orçamento. Vejo que agora ele me olha como um parceiro de negócios e não mais como um prestador de serviços desesperado.

Eu prefiro trabalhar pra dois clientes que paguem bem e que me levem a sério do que trabalhar pra dez clientes que só se interessam por preço baixo e não dão a mínima para o meu trabalho em si. Sem contar que acho humanamente impossível trabalhar com qualidade pra dez projetos ao mesmo tempo. Preciso ter imersão no trabalho, só assim consigo captar a essência do job para resolver ele do jeito certo.

Você pode estar pensando:

“Difícil é achar clientes que paguem bem”.

É verdade. Eu concordo. Mas talvez eles sejam tão raros de encontrar porque é difícil achar freelancers que “cobrem bem” também. Você já pensou nisso?

O movimento de valorização dos freelancers nunca vai partir dos clientes. É papel do trabalhador independente se valorizar, aumentar a autoestima e negociar sem medo. Peça mais dinheiro, se necessário. Brigue por mais prazo, não tenha vergonha. Avise que só pode começar o projeto daqui há 15 dias, isso soa profissional da sua parte. Esqueça um pouco as contas chegando, tente deixar isso não influenciar nas suas negociações. É difícil, eu sei. Mas com um passo de cada vez é possível chegar lá.

É só começar. Tenho certeza que com um ajuste aqui, outro ali, é possível conquistar uma melhor carteira de clientes, projetos mais interessantes e também melhores condições de trabalho. E com isso não vem só grana, vem mais tempo livre e qualidade de vida. Acho que isso sim é sucesso de verdade. Você não acha?

Qual a sua opinião sobre o assunto?

Quero muito saber o que você pensa a respeito disso, você já pegou mais trabalho do que pode entregar? Deixe a sua participação nos comentários e vamos levar esse assunto adiante.

Posso te pedir um favor?

Por favor, se você acha que esse conteúdo é útil, curta e compartilhe o post nas suas redes sociais. Isso ajuda o Aparelho Elétrico a continuar sempre publicando conteúdo relevante para todo mundo que trabalha de forma independente.

Obrigado!

Grande abraço e até o próximo post.

__
Texto originalmente publicado no blog Tutano do site Trampos.

Curta o Aparelho Elétrico no Facebook
Hey, GOSTOU DESTE POST?
Assine GRÁTIS nossa newsletter e receba nossas atualizações antes de todo mundo.

Você ainda leva uma cópia do “O Incrível Manual do Freelancer Moderno” direto no seu e-mail e sem pagar um tostão por isso.
 Enviamos conteúdo relevante, sem spam. E você pode se descadastrar quando quiser.
Publicado por:
Henrique Pochmann
Criou o Aparelho Elétrico em 2014. Produz e apresenta o podcast do blog. Trabalha com marketing digital desde 2002. Quer mais tempo para colocar outros projetos em prática, quer uma bicicleta e quer uma bio mais legal também.

Recomendados para você
 Gestão
Veja como derrubar os dois maiores vilões que afastam você da vida dos seus sonhos.
  Por Henrique Pochmann
 Negócios
Elimine as dúvidas na hora de calcular o preço do seu serviço. Este guia vai te preparar para encarar para qualquer orçamento.
  Por Henrique Pochmann
 Negócios
Supercompleto, sem censura e em detalhes. O artigo definitivo pra você turbinar as suas prospecções e conquistar os melhores clientes.
  Por Henrique Pochmann
 podcast
Vale a pena pagar caro por um curso/evento que promete aflorar sua criatividade?
  Por Henrique Pochmann
Participe da Conversa
  • Pedro Brisola

    Baita, aprendi isso na pele já, a um tempo atrás vivia estressado para entregar muitos jobs, que não deveria ter pegado, recebendo pouco, e não conseguindo a qualidade que me agradava. Mas foi uma fase que me fez parar e me organizar, e entender a forma que eu consigo trabalhar melhor, e repensar meu processo e critérios para aceitar um Job que garanta uma qualidade boa e com uma recompensa no mínimo justa. Baita texto, abraço!

    • Isso aí, Pedro!
      Também aprendi isso na marra. Felizmente agora temos um texto aí pra alertar os novatos. :)

      Obrigado pelo comentário, meu velho. Abraço!

  • Sebastian Baltazar

    Como sempre excelentes textos…

    Acredito (por experiência) que isso é muito uma questão de Mindset, infelizmente fomos criados em um mundo com a velha crença (e limitante) dá esacacez… Tudo é medo de ficar sem grana… Para piorar tem essa forma estranha (mas não incomum) de ver sucesso igual a quantidade de clientes atendidos (mas certamente não satisfeito)…

    Quando comecei tbm cometi esse (e diversos dos mais comuns) erro… A maioria por falta de conteúdo como esse que ajuda a compreender melhor e nos falamos ver q não estamos sozinhos…

    Vlw Henrique!!

    • Isso aí, Sebastian.

      É complicado negar trabalho. Fica sempre aquela sensação “Se eu negar esse, será que não vai fazer falta depois?”. Ou tem aquela outra sensação “Se eu negar, será que não vão achar que sou arrogante?” ou “Eu sou conta, sou fodão”. É foda… são vários pensamentos que temos que identificar e aprender a lidar bem com eles, pelo bem da nossa saúde financeira e mental.

      Abraço, meu caro!

      • Sebastian Baltazar

        Pois é…

        Henrique, querido, gostaria de sugerir um tema… Ou se já tiver escrito, me help pls… Kkkk

        Recentemente passei por um caso incomum para mim, até novo, mas já ouvi MTS freelas reclamarem…

        Como de praxe ao desenvolver o design de um site pra um cliente, adicionei no rodapé minha “assinatura” linkando diretamente para o site do Studio…

        No entanto o cliente achou ruim é solicitou a retirada… Como nós não tínhamos fechado qualquer contrato (foi free de freelancer – falha minha) eu não pude dizer mto, embora eu até tenha encrencado um pouco.. combinamos de sentar e nos alinhar novamente quanto a isso…

        Mas achei de muito mal gosto, e ausência de valor…

        Como lidar?

        • Cara, sempre linkei para o meu site nos rodapés dos sites que desenvolvi e felizmente não passei por isso.

          Acho que dá pra refletir um pouco quanto ao “achou ruim”. O link que você colocou estava chamando atenção demais o rodapé?

          De repente ele não tenha achado ruim você linkar, mas pode ter achado ruim o fato de chamar muita atenção. Talvez se você optar por um texto puro em uma fonte discreta o cliente não implique com isso. Se for preciso, e estiver dentro das tuas possibilidades, que tal apresentar uma nova diagramação do rodapé? Assim pode ficar melhor pra todo mundo.

          Pra evitar esse tipo de estresse no futuro você pode mesmo colocar isso na proposta ou no contrato mesmo.

          Espero ter te ajudado. Abraço!

          • Sebastian Baltazar

            Poie é meu querido, segui todas essas dicas, alias já seguia…
            Eu sempre fiquei antenado quanto a isso… No fundo o erro foi meu por não termos “acordado” isso antes…
            Link discreto, fonte simples, letra quase miúda… Nada demais… To no aguardo de uma encontro com ela, pra alinhar esse tipo de informação… Quem sabe…
            Grande Henrique, grato pela resposta! Abraços

          • Boa sorte, garoto! Abraço.

  • Rubens

    Henrique, acompanho o Aparelho Elétrico a algum tempo e seu conteúdo NUNCA decepciona. Bom, já aceitei trabalhar por pouco em prazos curtos. É um cliente que não quero mais pegar. Já em outro projeto, neguei uma parte do mesmo pois sabia que não poderia fazer/entregar em uma boa qualidade requerida, respondi o e-mail da cliente educadamente, e ela valorizou -e muito- minha honestidade a respeito do trabalho. Saber dizer não é importante, mas é difícil aprender.

    • Isso aí, Rubens!

      Dizer “não” faz parte do business e é melhor pra todo mundo, pra você e pro cliente também que vai acabar a frustração de receber algo com qualidade abaixo do esperado.

      Quando o cliente quer algo e não posso atender, nego aquelas condições educadamente e apresento as condições nas quais poderia atender ele. Já aconteceu de cliente pular fora e também de cliente aceitar as minhas condições. O lance é negociar.

      Abraço e obrigado por participar!

  • Henrique Pochmann: Uma máquina de gerar conteúdo. Mais um ótimo post!

    Eu ainda não cheguei na fase de não dar conta dos meus cliente (Tenho poucos rsrs). Para quem está nesta situação, algo legal seria indicar o cliente para um profissional da sua network. Isso iria fortalecer sua rede e gerar um sentimento de reciprocidade que futuramento pode lhe render um job(Mas faça sem esperar).

    E bem lembrada a citação do Walter: “O forno tem um limite”. Quanta sabedoria!

    Um abraço!

    • Muito bom, Marcos! Isso aí, o forno lotou? Passa a bola para um colega de profissão. Muito bem lembrado, cara.

      Grande abraço!

Publicidade
MAIS DE 9.000 PRofissionais independentes Já recebem ANTECIPADAMENTE AS nossas atualizações.
Cadastre-se na nossa newsletter e receba “O Incrível Manual do Freelancer Moderno” direto no seu e-mail, sem pagar nada por isso.
 Sempre enviamos conteúdo relevante, sem spam. E você pode se descadastrar quando quiser.