A primeira vez que recusei um projeto
 geral
 Publicado: 08/07/2016 Atualizado: 25/05/2017

A primeira vez que recusei um projeto

A história de uma experiência em dizer "não" para um cliente. Foi difícil, mas sobrevivi para contar!
  Por Dani Lima
Pra tudo sempre tem uma primeira vez.

O maior insumo para o trabalho criativo é informação. E informação precisa ser comunicada – dita, ouvida e entendida. A cada projeto, ganho mais experiência e fico mais convencida disto. Uma boa troca de informações é a base fundamental para um bom projeto.

Pensando nisto, vou moldando meus processos. Sempre converso com futuros clientes antes de enviar uma proposta. Meu próprio modelo de proposta tem uma parte que se assemelha a uma carta, que explica quais os passos para fecharmos o negócio e começarmos a criar.

 

Mas nem só de projetos bem sucedidos vive o freelancer. Esta é a história de como recusei um projeto pela primeira vez.

Bom, na verdade eu já tinha recusado projetos antes. Mas era por conta das circunstâncias e não uma escolha. Projetos que eu não podia cumprir o prazo, por exemplo. Mais recentemente, depois que decidi focar somente em desenvolvimento de marcas, já recusei projetos de site. O que torna esta história diferente é que este era um projeto cujo prazo eu podia atender e que estava dentro do meu foco. E, depois de diversas trocas de e-mail, eu disse ao cliente que eu não poderia atendê-lo.

 

Deu um baita frio na barriga. Mas por que eu recusei este cliente?

O negócio estava praticamente fechado. Proposta enviada e aceita, faltava confirmar o pagamento e marcar uma data para o início do projeto. Mas a cada interação com o cliente para tentar acertar estes últimos detalhes, o relacionamento já ia se complicando. A cada interação,  vários questionamentos sobre a minha forma de trabalhar.

 

É importante dizer que não vejo problemas no cliente questionar a minha forma de trabalho.

A comunicação inicial é para isso mesmo, para que ambas as partes saibam exatamente o que esperar do acordo do trabalho. Mas neste caso, a cada vez que eu explicava alguma parte do meu processo, o cliente retornava com mais questionamentos. Não estávamos nos entendendo. O cliente estava com pressa de iniciar e receber o trabalho, mas obviamente não estava confortável em realmente dar início ao projeto.

Neste ponto, eu faço um mea culpa. Percebo que cometi alguns erros nesta negociação em particular, exatamente por ter me afastado do meu processo habitual no início do relacionamento. De qualquer forma, a esta altura, o mal estava feito. Lá estava eu, trocando emails com um cliente que conseguia ser, ao mesmo tempo, ávido e relutante.

 

A cada mensagem, meu estômago embrulhava. Eu dizia A, ele me respondia B querendo mudar para C.  Até que eu me dei conta: “Se não conseguimos nos entender agora, antes do início do projeto, como vai ser depois? Quando eu precisar entender direitinho tudo sobre o negócio dele para poder fazer meu trabalho?”

Minha intuição estava praticamente gritando. Aquele cliente não era pra mim. Não era por questões de prazo, dinheiro ou foco. A gente não se encaixava bem, só isso. Ou, como se diz popularmente: “nosso santo não batia”.  Depois daquele processo estressante simplesmente para fechar o negócio, me parecia muito improvável que a comunicação rolasse fluida durante o projeto.

Então, tomei coragem (e o conselho de alguns amigos) e mandei um e-mail, declinando do projeto. Tentei ser o mais educada possível, explicando exatamente o que disse neste artigo, mas em outras palavras. Deixei as portas abertas, inclusive para ajudá-lo a encontrar outro profissional ou dar opiniões. Nunca recebi resposta. Mas eu até já esperava por isso, dada a minha breve experiência de relacionamento com este cliente.

Não foi fácil tomar essa decisão. Não foi fácil mandar o e-mail. E tenho que conviver com as consequências – por mais que eu tenha mantido uma postura profissional durante todo o processo, não acho que este cliente irá me indicar para ninguém. Mas eu achei melhor arriscar isto, do que arriscar todo o trauma de um projeto ruim com um resultado ruim.

 

Mas essa situação me ajudou a ganhar confiança no meu processo de trabalho. Ele faz parte do serviço que desejo oferecer e entregar aos meus clientes.

Ele não vai ser o melhor pacote para todos os clientes, mas o mais importante é que seja o melhor pacote para aqueles clientes que me escolherem como freelancer. Com estes clientes, será possível uma boa troca de informações, um relacionamento positivo e a consequência disso será um projeto muito legal e com um resultado que nós dois poderemos nos orgulhar. 

E você? Já lidou com alguma situação assim? Já abriu mão de algum cliente ou projeto por sentir que aquilo não era pra você? Como isso se refletiu na sua carreira? Conta aí embaixo!

 

Todas as informações contidas neste artigo são de responsabilidade do seu autor e não necessariamente refletem a opinião do site. Quer publicar suas ideias no Aparelho Elétrico? Colabore.

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Publicado por:
Dani Lima
Dani Lima é freelancer, designer de marcas , mãe, whovian, corredora, nerd, introvertida e feminista. Mas nem sempre nessa ordem. Para mais bate-papo ou para ser o meu próximo projeto favorito, dá uma olhada em danilima.com.br

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  • Vinny Campos

    Como sempre digo nos programas, os clientes tem que nos procurar pela maneira como trabalhamos e não apenas pelo produto que é entregue. Quando o cliente nos vê apenas como uma ferramenta para os desejos dele, isso tem que ficar bem claro, que ele está procurando uma pessoa apenas para executar. Isso diminui traumas e atritos entre ambas as partes. É da nossa natureza e faz parte do nosso profissionalismo, antecipar problemas que o cliente por falta de experiência não vê. E isso dói na alma quando sabemos que o caminho que o projeto está tomando precisa urgente corrigir o curso, e o cliente apenas quer que você continue com o plano, rumo ao penhasco.

    Quando estou em projetos assim, gosto de deixar clara a minha visão. Mas dependendo do tipo de relacionamento, a minha visão é documentada, avisada mas tento não criar o sentimento de menino emburrado, de braços cruzados e cara feia(já fiz muito isso no passado), então quando é algo que não me toma muito tempo, entrego o que ele quer e o que eu acredito. Se não, faço como ele quer, torcendo para que eu esteja errado, caso precise de alguma re-fação, negociamos essas horas extras.

    Ótimo texto Dani! Refletir e meditar que pessoas queremos ao nosso redor, sempre é um bom caminho…

    • Vinny! :) Essa sua frase é ótima “clientes tem que nos contratar pela maneira que trabalhamos”. É isso que faz o relacionamento virar uma parceria de fato. E clientes parceiros são sempre os melhores projetos, pros dois lados.

      Obrigada pelo comentário, beijos!

  • Beatriz Nogueira

    Dani, esse post foi excelente! Me lembrou exatamente uma história que tive com um cliente e diferente de vc, resolvi dizer sim. Nem preciso dizer o quanto complexo foi para finalizar e digo mais, a quantidade de problemas que tive ao longo do projeto fez com que eu pensasse no arrependimento em que eu tive em dizer um “sim” quando deveria dizer “não” e não por conta da grana ou pq não era um projeto que eu não queria fazer, mas por conta do relacionamento com o cliente. Esse post seu me encorajou ainda mais a dizer “nãos” quando as coisas não fluírem desde o início.

    • Pois é @disqus_TUsoeoYrxB:disqus aprender a dizer não nas horas certas é uma aprendizagem da vida toda, eu acho. Acho que o relacionamento entre profissional e cliente tem que sempre ser uma parceria. E uma parceria tem sempre dois lados – o cliente precisa nos ajudar com informações, cumprir prazos do lado dele, estar disponível para fazer parte dos nossos processos. E, as vezes dá pra perceber do início que o cliente não será assim… Nessas horas, melhor tomar coragem e dizer não. É difícil mesmo, até pq não tá fácil pra ninguém né? Mas com essas experiências vamos moldando melhor quem somos como profissionais. Beijos!

  • Grande texto, Dani! Muito franco. E o tópico é essencial, “é preciso saber dizer ‘não'”.

    Várias vezes já cometi o erro de aceitar jobs só pelo dinheiro, mesmo tendo que atender clientes com os quais não tinha a menor afinidade. O resultado era eu atrasando pra responder os contatos do cliente, evitando o contato ao máximo e também baixando a cabeça para qualquer solicitação descabida. Queria “me livrar” do projeto o quanto antes.

    A pior coisa pra um profissional é trabalhar sem motivação em um projeto. Isso vai te tirando o fôlego e muitos profissionais acabam por nem levar os jobs até o final. O que acaba também colaborando para o estigma de que Freelancers não são confiáveis, que são irresponsáveis, desaparecem e coisa e tal.

    Então, se a gente não tá afim do job (ou do cliente mesmo), seja por qualquer razão, o lance é dizer não e lidar com as conseqüências. Jobs melhores virão, pode apostar. :)

    Escrevi há um tempo, lá no blog Tutano, um artigo que pode servir como leitura complementar: http://tutano.trampos.co/7978-o-freelancer-tem-que-dizer-nao/

    Bjo, Dani e obrigado pela colaboração!

    • É aquela história do relacionamento com os clientes: o cliente deve comprar “por que” você faz e não “o que ” você faz. O “por que” é a nossa motivação. Aquilo que nos fez virar freelancers e escolher a área que atuamos. Se o cliente não se importa com a sua motivação, é possível que ele te enxergue só como um fazedor de coisas e isso pode ser bem frustrante para um profissional que almeja mais. E é mesmo muito difícil trabalhar num projeto (principalmente pq trabalhamos sozinhos na maior parte do tempo) quando achamos que o cliente não dá valor ao que podemos entregar.

  • Muito bom, Dani.

    Você fez certíssimo em seguir seus instintos. É muito difícil falar “não”, mas não é somente porque você quer o dinheiro, mas porque muitas vezes ficamos com dúvidas do tipo “será que não estou exagerando nessa reação? Será que não vale mesmo a pena embarcar nessa?”

    Já me acostumei a dar “não”, mas ainda me pego com essas incertezas, principalmente quando o motivo da dúvida é algo novo, algo sobre o qual nunca tive que refletir antes.

    O fato é que em 100% dos casos em que não segui meus instintos, entrei em furada.

    Parabéns pelo post! :)

    • Pois é Walter… Graças a bons conselhos disse não dessa vez ;) Mas acho que esse medo de estar exagerando é até importante. Pq as vezes, e só as vezes, talvez a gente sinta vontade de dizer não para não ter que sair da zona de conforto. O que é diferente de entrar em furada. Mesmo com toda a experiência, ainda ter medo de dizer não pode nos ajudar a dizer sim em algumas situações em que, por medo, ficamos pensando em dizer não. Em resumo, a vida né? Nunca é simples :p

  • vandrei

    Já fiz a burrada de aceitar uma vez o trabalho por grana, sendo que o projeto nem me interessava tanto. Vou te dizer, que a vida cobra na hora essas cagadas, começaram a aparecer outros jobs simultaneamente e mais interessantes e o “tal” job começou a ficar para trás na ordem de execução, fora algumas alterações que o cliente pediu. Mas enfim, hoje se eu não me identifico com a proposta do job, já digo não. Lógico, tem clientes que as vezes não nos identificamos, precisamos da grana e fazemos, mas no processo você percebe que o cliente é muito legal :P

    • Grande contribuição, Vandrei.

      Me lembrei também daquela recomendação: “não fique bom naquilo que você não quer continuar fazendo”. Às vezes a gente aceita um job que não quer fazer e depois pode aparecer vários na mesma linha. Os clientes passam a te procurar porque você já tem aquela experiência e aí fica cada vez mais difícil de negar.

      Abraço!

  • Thaís de Oliveira

    Acabei de passar por essa situação, e quando eu digo “acabei” eu acabei mesmo porque foi hoje!
    Meu primeiro não como freelancer e realmente dá esse frio na barriga porque eu tenho que pagar conta, não poderia abrir mão do dinheiro e também porque eu não queria logo no começo da carreira de freelancer recusar um trabalho.
    Mas eu estava vendo (ou sentindo) que não iria dar certo, o trabalho não era para mim e eu informei isso para o cliente, ele insistiu para que eu fizesse um novo teste, e eu até comecei; mas vi que não iria dar certo mesmo e hoje dei a carta final.
    Sei que ele não me indicará para outros jobs, mas o que sinto é alívio de ter sido bastante sincera e muito profissional.
    É isso, tem que cliente que não é para a gente e a gente não é para ele.
    Ótimo texto, Dani. Obrigada. :)

    • Muito bom, Thaís!

      Na minha visão, o bom profissional é aquele que sabe analisar se o “job” é pra ele. Às vezes nos sentimos pressionados a aceitar todos os jobs que aparecem. Mas não é bem por aí…

      Parabéns pelo profissionalismo! =)

  • Luedy Costa

    A primeira vez que eu recusei um projeto foi um cara de Curitiba (eu sempre morei em Salvador) que entrou em contato quando eu ainda estava na universidade. Ele queria que eu criasse uma marca e estampas pra uma camiseteria que ele queria abrir. E veio com aquele papo de: “Você faz. Se eu gostar, eu pago”.

    E a recusa mais recente foi um cara que chegou até mim por indicação de outra pessoa e queria que eu vetorizasse duas artes pra ele. Ai eu perguntei para que ele queria que eu vetorizasse e se as imagens eram dele ou achadas no google. Ele me falou que queria as imagens para estampar camisas e que tinha achado as imagens no google. Ai eu respondi que eu não poderia fazer por uma questão ética, eu não vetorizo ou mexo em trabalho de outros colegas (só em casos realmente muito raros e específicos) e que isso além de ser antiético seria passivo de punição legal também por se apropriar da propriedade intelectual de outra pessoal. E ela me agradeceu e perguntou quanto eu cobrava para fazer ilustrações para ele estampar as camisas… ai eu tive que recusar de novo, pois não sei ilustrar. kkkkkkk…

    • Boa, Luedy!

      “Você faz. Se eu gostar, eu pago”.

      Puta sacanagem. E pior é que tem profissional que tá começando e que aceita esse tipo de condição. É uma pena. Acho muita falta de respeito.

      E parabéns pela postura ética. Esse é o caminho.

      Grande abraço e obrigado por estar sempre participando por aqui.

  • Leandro Antonello

    Ótimo texto, Dani!
    Infelizmente eu só o li agora. :(

    Já trabalhei e entreguei muito projeto para os quais deveria ter dito não. E em todos, sem exceção, o processo foi ruim, não via a hora de acabar. Às vezes a necessidade financeira não nos deixa muitas opções…

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